Para muitos a religião é a criação de Deus, o dogmático profetismo que nos guia; para outros trata-se de um pequenino hipopótamo cor-de-rosa em narcóticos. Veramente, nem uma nem outra: a religião é bastante lógica. Assumir que Bíblia, Corão e amigos são um poço infindável de arco-íris literário é uma tentação de quase lascívia, mas inválida. Será também um tanto ou pouco estúpido considerar possível que tudo aquilo que a religião diz é uma paráfrase directa de um barbudo nas nuvens. Aquilo que todos terão que entender é que a religião é humana, e como qualquer coisa de humano trará consigo o bom, o mau, o feio e simplesmente estúpido.
Mas não julguemos sem consideração. O Corão, por exemplo, é altamente compatível com a ciência em muitos sentidos. A Bíblia é um bom conto de fadas escrito por sabe-se lá realmente quem, reescrita por mais gente que a população chinesa, deturpada por mais uma dúzia de macacos e representada por mais de três mil versões. Se Deus escreveu a Bíblia, das duas uma: ou metade da população terrena e respectivas mães receberam uma mensagem do senhor ou ele tomou a liberdade de possuir mais gente que Giancomo Casanova.
Ora, estas crenças incitadoras de muitas guerras, um pouco de compaixão e muitos donativos financeiros têm uma possível base virtuosa. Até a bíblia satânica inclui uns pedaços rechonchudos de sabedoria de vida que muitos psicólogos poderão certificar. Quando o Islão diz que tens que tomar um banho depois do sexo não significa que vais parar ao inferno se fumares o cigarro em vez de lavares os tomates; a ideia é que provavelmente é uma ideia higienicamente plausível lavares-te depois de suares como um suíno durante uma hora ou duas.
Deus é uma ofensa para a humanidade. Nem o podre do dióspiro e as suas pobres ideias em formato de blog (que credibilidade tem um blog, anyway?) é menos que Deus. Pecado é uma pobre desculpa para a existência do senhor num vestido preto ter dinheiro para comer. A verdade é que nem ele viu Deus uma mísera vez na sua vida, mas continua pobre de espírito a acreditar naquilo que lhe é conveniente. Se Deus existe, certamente não é a ofensivamente vil criatura que a maioria das religiões figuram. A homossexualidade é um pecado? O que é um pecado para começar? Ser anão é um pecado? Fazer amor com alguém por uma razão para além da procriação é criticável?
Aprendam o que é, realmente, amor, parem um pouco para viver e parem de fazer um felicíssimo chichi na cama porque um senhor moribundo, tão divino quanto uma formiga que vos está a fazer cócegas no umbigo, decidiu ir a África falar em nome de Deus em promoção da propagação do HIV.

