Há uma coisa que eu honro veementemente, um autêntico dogma para o género masculino em todo o mundo. Discorro sobre uma lei invisível, uma prova de ética, moral e respeito, que somente o mais mesquinho e bolorento ser ousa quebrar. Pois peço-vos que atentem àquilo que vos digo: aconteceu-me defrontar tal ser. Um jovem poisou tal abelha numa flor, calma e comodamente, no urinol ao lado do meu, quando nada o obrigava. Foi com horror que o ouvi abrir a sua molesta braguilha, esforçando-me por não olhar. Ele não parou e não pensou; senti-me violado.
Mas este belzebu escsiano poucos pruridos teve em repetir a façanha. Fê-lo uma, duas, três, e à terceira não foi de vez. E foi aí que tomou iniciativa de olhar para o lado. Vou-vos dar uma disposição do cenário para que entendam bem a extensão do meu tormento, recorrendo às possibilidades dos meus conhecimentos de Illustrator e Photoshop.
(Como podem calcular, eu não olhei para ele, porque sou muito homem. Vá, olhei um pouco pelo rabinho do olho, mas só porque sou valente.)
Vocês indagam então: “ele olhou para a direita – certo?”. Pois, não, madre santíssima! Ele olhou ostensivamente para a esquerda e para baixo. É um género de cereja no topo do bolo enquanto a minha virtude urinolesca é hediondamente extorquida.
Já no ginásio, a história é outra. O que aconteceu a todo esse acanhamento de mostrar e ver pilinhas? É algo que me recorda daquelas donzelas, de uma timidez tão legítima, que assim que o seu truque pega tiram as cuecas mais rápido do que eu consigo dizer coito. É que no balneário sou forçado a enxergar pequenos pêndulos, abatidos e datados, a bambolear-se por ali fora. Tratá-los-ei por apêndices durante o restante desta pequena prosa tendo em grande atenção o nível de decência deste pretenso blog.
Ora estes apêndices espelham-se (e espalham-se) nos azulejos, quer do chão, quer da parede, não dando um descanso solitário à minha mente pudica (pu-dí-ca). Proponho então algum meio de profilaxia com fim a evitar a degradação do corpo humano: a questão é que por muito que queiramos voltar às origens e pôr tudo au naturel, há coisas que são – querendo ser eloquente, feias. É o testemunho de uma população envelhecida e o cheiro a mofo prolifera-se.
Por favor: da próxima vez que fores a um local público tomar banho não baixes os boxers, ou santo ateu te perdoe, as cuecas. A não ser, claro está, que pertenças à classe das mulheres entre os 18 e os 35; mas honestamente não consigo pensar em muitas razões lícitas ou lógicas para estares no mesmo balneário que eu.

É por essas e por outras que uso os cubículos! Aí ninguém te viola =)
ResponderEliminarJá agora. Gosto do design (não está espalhafatoso nem comic sans como outros tantos) e da ironia.
Foi o primeiro que vi que achei decente. Admito que não prestei muita atenção ao design, haha. Abraço
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