Algo me tem vindo a intrigar desde a fundação deste blog. De entre a maravilhosa amálgama crítica a esta paspalhice literária, há um ponto de consenso: estes textos estão obesos.
Tal coisa perpassa-me. Em primeiro lugar, sou obrigado a deduzir que houve quem chegasse a fazer scroll, numa espécie de curiosidade patológica. Depois, acontece que durante grande parte da minha vida me foi dado entender que maior é melhor. Nunca pensei realmente porquê, mas tenho tomado essa doutrina com seriedade em mais ramos do que faço questão de partilhar convosco. Mas vejamos: quando o Jorginho arrecadava uma prenda de menor volume que a do Joãozinho (e sejamos sinceros, as crianças têm olho para isto), o que acontecia? Ouviam-se referências pouco inocentes à mãe do Joãozinho como uma carismática senhora de esquina e o ‘tadinho do puto já ia para casa com um dente a menos, naquilo que posso apenas assumir que seja uma compensação do universo. Sim, uma compensação, Jaques’s de la Palice deste mundo. Está cientificamente provado que “nada se perde, tudo se transforma”, e na prática todos temos a menos numa coisa para termos a mais noutra, tal como os meninos do Biafra passam fome mas vivem menos e as mulheres inchadas são dotadas de colossais seios. Não querendo divagar, matutei que esta lei da compensação me administrasse algum tau-tau, e eu gosto disso.
Enfim. Devotar-me-ei em amputar um pouco mais os meus posts, já que foi provado que este blog não precisa de pernas para andar. Talvez então o espectro de adeptos desta deliciosa heresia se alastre para além do estereótipo do sujeito solitário, que derrete cera de vela para os próprios mamilos na busca do prazer, ou do tipo de pessoa que se ri ao pesquisar o significado de zoonecropedofilia no Google. Francamente…
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