segunda-feira, 23 de maio de 2011

Uma Diferença Animalesca

                Temos umas eleições legislativas muito honestas e transparentes pela frente, segundo certos candidatos. Tomei portanto a liberdade de averiguar por que nomes passam estes núcleos de sinceridade quando se candidatam à assembleia da república. Tenho a dissertar sobre o PAN – ‘Partido pelos Animais e pela Natureza’, que recebe agora uma dignificante segunda menção neste blog. A sério? O Partido dos Verdes está a ganhar terreno, logo, creio que a sugestão óbvia é constituir outra facção em defesa do direito à cor; é que pensando bem, eram só dezanove partidos, e eu gosto mais de azul que de verde. Derivo que o seu slogan poderia muito bem ser “nem todas as formigas são iguais – há umas mais pequenas que outras”. São formigas, seus asnáticos mesclados.

                Ponderei e vejo que se trata de um caso atípico de um complexo de Édipo, de filho para mãe, entre o senhor líder do PAN, Paulo Borges, e a rinoceronta do Um Bongo
O seu plano será com certeza provar-se no mundo dos animais, com vista a um dia voltar a erguer o leão como rei. Este “partido pelos animais” é um partido monárquico metafórico, de uma transparência… opaca. Agora isto sim começa a ser política a serio.

                Noto que dentro desta mixórdia de ideologias cerca de oito fazem Karl Marx rebolar na sua cova (uma expressão realista e que em muito me agrada), enquanto um partido se mostra persistente numa seita de culto ao espírito de D. Carlos: o Partido Popular Monárquico. 

                Suspeito de um sério desfasamento temporal na política portuguesa. Enquanto o PPM vive em 1908, o Partido Nacional Renovador (PNR) mora por volta dos anos trinta em terras germânicas, e consigo quase garantir que se alguém informar Francisco Louçã de que já não estamos em 1974 ele irá vociferar um guincho estridente e evaporar-se, em estilo de paradoxo.

                Em jeito de conclusão, eu devo estar também erradamente datado por ainda viver na época em que alguém pela primeira vez disse “a união faz a força” e outras mariquices dessa laia. Vocês sabem; a laia do senso comum, que me confere poderes de vidência que consentem já a dar-vos um prognóstico das eleições do dia 5 de Junho. E passo a enunciar em tédio: PS ou PSD.

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