quinta-feira, 16 de junho de 2011

Coração de Dióspiro


O amor. Lá está um tema do qual nem eu, nem tu queremos falar, acabando inevitavelmente por fazê-lo. Para quando, como, com quem? Nunca saberás. Com azar, não sabes, tão pouco, como se dissipou aquilo que tinhas em comum com o padre António, com o senhor gordo e feio que vive no teu prédio e aquela senhora dos contos de fadas que ficou prenha de Jesus.  Mesquinhas, as voltas que a vida dá, entre virtudes perdidas em lavabos públicos (no caso de quem vota Bloco de Esquerda) e hímens esquecidos em aulas de equitação (claro está, jovens eleitoras do CDS). 

Uma parte das mulheres vem credibilizar as suas fantasias negras, defendendo que adoraria encontrar o seu príncipe encantado da Disney, belo e… honestamente, violador. É que a confiança é um traço masculino amplamente apreciado pelas mulheres, mas nas fantasias ele transmite-se mais facilmente por um jovem medieval engatatão enfiando a sua língua burguesa pela garganta de uma adolescente envenenada e incapaz de reagir. Meu infantófilo rato Mickey - isto é amor?
 (mais uma vez, fortíssimo potencial de design)

Não negligencio, no entanto, a versão pós-moderna do menino ideal, que tanta pipoca faz saltar. Um jovem,  maquilhado com farinha, envergar um ar autista feat. serial killer, abordar uma mulher e dizer-lhe “eu sou um vampiro que brilha à luz do sol” não é romântico, caro público anémico. Este sentimentozinho caquético de “a juventude está perdida” não se salva, nem de perto, pelo facto de pré-adolescentes, solitárias e curiosas, criarem um elo de ligação lógica entre hospitais, cães demasiado felizes e a descoberta casual do vácuo através de uma garrafa de plástico.

Em vaga reminiscência, diria também que a última definição de “romantismo” que tive oportunidade de rever num dicionário de língua portuguesa contemplava as expressões álcool e abertura fácil. Trata-se seguramente de uma referência ao champanhe e à possível ressaca amnésica. Mas o amor é isso, é a incógnita, é fogo que arde sem se ver, que lentamente nos escalda, mas assegura que voltamos para mais uma sessão de S&M. A sua fórmula? O grande dióspiro profeta resolve os vossos dilemas com nobre sapiência: CH3CH2OH.

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