Numa linda noite de quase Verão dou por mim num colóquio muito simpático sobre dois temas tão aclamados: drogas e budismo. Nada de estranho, presumo, que tenhamos ficado umas duas horas em torno disto. E então, a que raios se deve esta cooperação temática? Do que me chegou, a mítica e balofa figura do buda nunca consumiu coca ou algo que se assemelhe ou estaria decerto um poucochinho mais magro e com uma silhueta mais apresentável. Pois bem, desprovido de sequência racional, eis a primeira premissa: é preciso estar bem queimado para entender a teoria budista.
Antes de mais, eu até aprovo em muito da ideologia tibetana, mas acontece que há pequenas coisas que não fazem pandan com o meu Tico e Teco: “o vazio é a forma, a forma é o vazio”. Mas que mal fiz eu a Buda? Apesar de isto fazer pouco mais que soufflé na minha cabeça, cheira-me que já o ouvi em algum lado. Das duas uma - ou foi Fernando Pessoa num dos seus Programas de Estabilidade e Cirrose (PEC for short) ou terá sido algo proferido por um dos senhores nomeados na seguinte lista: Kurt Kobain, Sigmund Freud, Jimi Hendrix, Michael Jackson, Heath Ledger, Jim Morrison, Elvis Presley. Posso de boa vontade continuar a lista, caso tenha falhado a dose.
No fundo, o budismo é uma filosofia do maior dos interesses, que nos revela o caminho do desapego emocional e do vazio da mente. Infelizmente, alguns de nós são tão bons a esvaziar a mente como o Bibi a esvaziar os tomates; é uma ligeira falta de método. Como bom samaritano, recordo a existência de uma pastilhinha mais ou menos porreira chamada Roofie, ou para usar os seus termos técnicos, flunitrazepam e date rape drug. Esta plausibilidade narcótica coloca-se como um remédio para mais males do que o seu folheto alguma vez se arriscaria a referir, possibilitando um esvaziamento mental para inúmeros fins. Assim, este célebre estupefaciente é comprovado em ritmo diário através do feedback dos consumidores. E cito: “Ontem à noite consegui meditar e senti-me iluminado. Obrigado, roofie!”; “Era virgem aos 34 anos, e todas as minhas noites acabavam em lenços de papel enrugado. Até que descobri o roofie!”; “Uma prostituta filipina insiste que me foi ao rabo ontem à noite, mas não me lembro de nada.”
Surge então um ponto importante: nenhum destes consumidores, satisfeitos ou não, cientes ou não, amnésicos ou… vocês percebem… - nenhum destes consumidores se viciou em droga. Por favor, droga-te com moderação.
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