“Vou apanhá-los todos!” – cantávamos nós, em tempos distantes em que a música passada pela MTV ainda não pegava sida. Ora, Pokemon, ou nomeando o termo extenso, monstros de bolso, eram os bichinhos sexuados, alusivos a animais, com super-poderes mágicos e um vocabulário limitado a uma pleonástica perpetuação do seu próprio nome. Até aqui, nada de mais; a ideia não é inteiramente estapafúrdia tendo em conta uma génese na terra da sexualização das lolis, mãe do hentai e do cosplay. Mas, como o saberá o leitor pobre de espírito que acompanha a infantil existência deste blog, as sequelas têm salmonella.
O dióspiro orgulha-se de uma coisa, e digo-vos, uma coisa apenas – de um dia ter sido o primeiro da sua escola a obter os 150 pokemons no mítico gameboy grande e cinzento. Cento e cinquenta; parece muito? Na altura parecia. Pois agora são seiscentos e quarenta e nove. Em paciência budista, reflecti profundamente a respeito de hipotéticas legitimações para uma tão eclética selecção de novos monstrinhos. Partindo para a análise, o que encontrei foi isto:
Gothorita, um pokemon gótico, de tipo psíquico. A profundidade transcende-me.
O pior revela-se, porém, quando tomamos uma análise funcional de cada bicho. Alguns dos pokemons originais apelavam, em acaso, ao ser humano comum: o bulbasaur produzia erva, o squirtle humedecia suave e delicadamente a mortalha, enquanto o charmander tomava o privilégio de acendê-la. Actualmente, os pequenos trastes incorporam auto-críticas à série: existe literalmente um pokemon composto de lixo (sim, lixo!), inspiradamente intitulado de trubish, evoluindo para garbodor. E acham que contempla reciclagem? No way.
Em suma, os bichos abichanados – passo a redundância – são uma asquerosa influência para as novas gerações. Animais que saem de bolas para se agredirem inconsequentemente com murros, cabeçadas, relâmpagos, labaredas, cuspo e outros fenómenos projectados a partir de todo o tipo de partes corporais. A PEHTA deve adorar isso, tal como a errática miscelânia de conjugações que dão origem a novos pokemons. Ao início, todos os pokemons tinham relações sexuais penetrando um bocado de borracha chamado Ditto. Agora? As possibilidades são infinitas; repugnantemente infinitas…

Sem comentários:
Enviar um comentário