domingo, 31 de julho de 2011

Clonagem Artística

Na ludibriosa caminhada pela interacção humana é natural desvendarmos em nós mesmos um fascínio pela diversidade humana. Quão atroz seria viver num mundo repleto de ovelhas Dolly? Podemos reflectir sobre uma reprodução industrial de paletes de Jesus Cristo’s sobre a face da terra – o milagre da multiplicação, não de peixe, mas de ficção. O horror deste cenário passa por um ciclo contínuo em que diversos senhores barbudos viram a cara incessantemente à espera de porrada, morrendo de tédio de três em três dias. Ser bonzinho não tem assim tanto mérito sem um termo de comparação – essa é a verdade.

Opcionalmente, podemos optar por outras simulações de demonstração de que o comunismo aplicado à personalidade humana cria um escroto de panorama, como é hábito na aplicação do mundo das fadinhas à realidade. É que nem a fadinha Lenin é igual à fadinha Trotsky.

Par example, se todos fossemos uma fotocópia rigorosa do Charlie Sheen o consumo infantil de Whisky seria comparticipado pelo estado. Se a Paris Hilton fosse, por sua vez, o modelo de similitude, a profissão mais antiga do mundo seria subitamente não só a mais comum como a única.

Agora debatamos um cenário prontamente aterrador: o mundo é feito de Justin Biebers e dióspiros, numa igual medida de 50%. A reprodução é assegurada – Biebers com Biebers, dióspiros com essencialmente tudo não-Bieber. Bieber não é fixe, não é nem tão pouco engraçado, é simplesmente monótono e vulgar. Dióspiro é universalmente fenomenal, porque pela primeira vez há quem ache piada.

Não existe qualidade sem comparação. Tu és gordo porque eu sou esbelto, eu sou parvo porque tu és, provavelmente, um pouco menos. Ninguém é nada senão uma infindável instituição de julgamentos e estereótipos; ou melhor dito, nada nem ninguém é bom ou mau. Salvo o D. Duarte; que despropositado pedacinho de coprólito.

domingo, 24 de julho de 2011

CTRL Z


Rajadas de vento percorrem voraz e impiedosamente o meu corpo, impotentes, ainda assim, face ao peso das minhas acções. As minhas vestes, vítimas de carícias menos delicadas do ar que passa, atiçam os meus longos pelos das pernas, surtindo umas endiabradas cócegas que noutra qualquer altura me teriam feito roncar como um porquinho. Neste dia decidi saltar da ponte. 

Ao contrário do que originalmente planeei (figurativamente: voop, splash ) parece que afinal terei tempo de pensar um pouco ao longo da queda, o que é muito bom sinal, já que não quero fazer parte do grupo de incompetentes que nem um suicídio capaz cometem. A altura desta ponte deixa-me pelo menos seguro de que vou, de facto, morrer.

Começando então a cogitar um pouco, devo dizer que estou surpreso com o meu magnífico aerodinamismo. Desconhecia esta qualidade minha. Será que tinha mais qualidades por explorar? Calma. Não tenhas dúvidas agora. Lembra-te que não voltas a comer as lentilhas da Mafalda… Casar-me com uma vegan foi a pior ideia que já tive. A partir da altura em que “vestígios de leite” é uma proibição, lentilhas com alcaparras é subitamente uma opção provável de jantar.

Isto bem que demora. Lembra-me daquelas caixas “tem a certeza?” que aparecem quando quero apagar o historial do Internet Explorer. É realmente tentador não ter que escrever os links completos às horas mortas em que a Mafalda se deita, mas orgulho-me em não ter cedido à preguiça. No fundo nem sou assim tão inerte.

Agora que penso nisso, e se a água está fria? Não sou homem de ir à água na praia e piscinas não são bem a minha chávena de chá. Sempre fui friorento. O lado positivo é que pelo menos desta vez é certo que vou boiar. Honestamente nunca descortinei essa magia anti-gravitacional e se essa fábula da alma sair do corpo se concretizar, vou ver-me a boiar pela primeira vez. Hi five. 

Será que sou um totó por fazer isto em público? Tudo na minha vida foi pequeno, quis morrer em alta. Salvo seja. Mas é indigno se tiverem de me vir cá buscar de orgãos meio estoirados. Pode ser que pelo menos o impacto disfarce um bocadinho as minhas esterias porque nunca gostei que me vissem nú. Aquele sou eu? Nem sou assim tão gordo…

Splash.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Porquê, Moody's?

É Natal, é Natal! Não. Ainda falta. Mas não deixa de ser tópico deste ano o grande movimentador deste evento pagão, cada vez mais escasso: o dinheiro. Ao que parece, o próximo Natal peca em presentes mas recompensa em discursos à Alberto João Jardim. Após a decisão do governo de passar uma pequena bissectriz pelo subsídios de natal dos portugueses ao estilo de “esse lado da cama é teu, deste lado da linha não tocas”, podemos apenas assumir que por volta de 24 de Dezembro grande parte de nós estará a falecer de felicidade. Creio também que será uma ocasião monumental para que nos debrucemos sobre uma certa miragem colectiva bimilenar… Convoco uma suspeita de que tanto perus como bacalhaus são impregnados com drogas alucinogénicas de longa duração, todos os anos, pela época natalícia.

Em termos sérios, este abalo à tradição de São Nicolau preconiza outras questões mais sérias. Em primeiro lugar vem o facto de que todo esse avultado monnet não fará nem um cafunezinho ao défice português: o propósito real deste “imposto extraordinário” (pomposo, ã?) será cobrir as indemnizações de projectos cancelados pelo novo governo. “Ah gastaram milhões de euros em máquinas e escavações? Homem das obras feeeeio, você leva tau-tau”. 

Quem parece delirar em orgasmos uníssonos são os colaboradores da Moody’s que, enquanto fazem voodoo com galos de Barcelos, projectam já um novo rating para a dívida pública portuguesa em edição exclusiva: Cancro vem substituir o ranking de Lixo. A verdade é que Ray McDaniel, director geral da Moody’s, come um pastelinho de Belém todos os dias ao pequeno-almoço enquanto passa os olhos por quadras de A Mensagem, de Fernando Pessoa. Quando questionado sobre os seus hábitos, McDaniel retorque coloquialmente: “Duh. Estava a ser irónico.”

O dióspiro crê que, no fundo, a Moody’s, tal como a Finlândia na sua precessão, encontra um ódio indiscreto face aos Homens da Luta no Festival da Canção. Justamente, creio que depois da operação de Luciana Abreu, todos nós guardávamos uma vontade visceral de que ela se recandidatasse em 2011 a fim de a(s) ver saltitar no palco em lugar de um bando anarquista de bigodes ambulantes.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Heroísmo Esquizofrénico

Cara série Heroes:

A ficção científica explica a sua ficção – fantasia, até – através da ciência. Vocês, por outro lado, revelam uma impecável inabilidade em explicar tanto quanto 1+1, o que eu apresento através da dita ciência como uma remoção cerebral pós-parto do vosso redactor.

Um ser humano não pode correr a umas alegadas 700 milhas/hora, herói ou não. O beep-beep fazia-o na sua qualidade de desenho animado e de avestruz. Acontece que na vida real a humanidade não possui uma percepção e uma destreza mental que permita executar dez curvas e agarrar delicadamente objectos no espaço de meio segundo; nem na antecipação de uma overdose de anfetaminas.

Nesta sequência, o corpo humano não tolera a pressão aérea a umas poucas centenas de quilómetros por hora. Pondo de lado o facto de uma inexplicável mutação química na adrenalina permitir a inúmeros seres humanos quebrar (de uma forma igualmente ignóbil) as leis da física que regem o nosso planeta, nem um esquimó, por muitos ursos polares e pinguins que coma, sobrevive a temperaturas para além da estratosfera, em voo de alta velocidade.

Um serial killer malévolo pode ter uma cara bonita, mas não se torna um herói. Mas sobretudo, e sublinho, sobretudo, ele não se torna bom depois de se tornar mau depois de se tornar bom depois de ser, na sua essência, um filho de uma mulher de ganha-pão questionável. Para leigos, façamos uma alegoria: Hitler mata seis milhões de judeus até que subitamente pondera “hmm, será que nós somos os maus da fita?”, pelo que oferece leite com chocolate Ucal num acto de redenção. Porque toda a gente gosta muito de leite de chocolate Ucal, o púbico põe a hipótese “olha, se calhar ele não era assim tão mau rapaz”, até que Hitler decide matar toda a gente a quem ofereceu o dito leite. Uns milhões de judeus depois, Hitler tem um toque de génio - “quero ser um herói” - e no lugar da anterior oferenda limita-se a recitar meia Avé Maria (tanto quanto se lembra), o que lhe confere um carisma abismal e o perdão eterno.

Para descontrair, o dióspiro irá rebolar até ao Colombo para averiguar o expectável final do feiticeiro das lunetas. No entanto, a mente científica traz apenas uma ideia na mente…

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Um Dióspiro e Freud Entram num Bar...

       Como é certo, a psicologia é um dos poucos hobbies relevantes dentro da plétora de actividades do dióspiro. A psicanálise, por sua vez, é uma técnica bonita que nos traz deduções crípticas. São caso exemplificativo a correlação negativa entre o preço de um automóvel desportivo e o dote fálico do seu dono, ou a ligação directa entre a qualidade caprina de uma mulher (subtilzinho, pois bem) e o eufemismo chamado daddy issues.


         No centro de toda a psicanálise – e do seu criador, por certo – está o sexo, em sentido lato. A repressão sexual é, segundo Freud, a maior causa de distúrbio da psique humana, o que leva à indução de que as fantasias sexuais devem ser identificadas e expressas, sejam elas quais forem. Convidámos então ao blog, em entrevista, alguns indivíduos com fantasias invulgares.


      Em primeiro lugar, foi dada palavra a C. Nuno, ilustre desconhecido que nos cede em primeira mão a sua repressão. C. Nuno imagina-se com frequência a ser humilhado por uma tribo de índios aborígenes disfarçados de antropólogos, professando expressões rudes como “as minhas relações familiares são mais profundas que as tuas” e “tens sido um menino muito etnocêntrico…”, enquanto o chicoteiam com uma espiga de centeio. E reforça: “alicia-me a observação participante”.


      Jean-Marie Le Pen veio também prestar testemunho do seu distúrbio, uma fantasia figurando duas mulheres em greve de fome – uma judia e uma militante da Greenpeace – e ele, no auge do seu poleiro, lançando fatias de bacon. Disse-lhe que não se tratava de um desejo sexual reprimido, mas ele retorquiu com expressões faciais particularmente credíveis.


         H. Carlos, por sua vez, contempla a perversão de uma mulher com uma ranhura para a moedinha, tal como os cavalinhos de carrossel. O êxtase, ao que consta, deve-se ao total consentimento: “na minha fantasia elas nunca têm dores de cabeça.”. Quando questionado em respeito ao facto de cinquenta cêntimos só proporcionarem um minuto de experiência, Carlos admoesta “nunca foi preciso gastar mais que um euro. É economicamente correcto”. Pessoalmente, desagrada-me a passividade, mas a música ambiente vale por si.


       Para um epílogo académico, o dióspiro foi ao limbo, onde Sigmund Freud se encontra a estudar Michael Jackson. Dada a indigestão de marshmallows, o pai da psicanálise pôde apenas confessar um segredo: “sempre julguei a questão da pequena sereia meio obtusa. Creio que inverteram as partes do corpo de Ariel. Tudo bem; não a poderia beijar, mas isso também nunca caiu muito nos meus gostos.