Cara série Heroes:
A ficção científica explica a sua ficção – fantasia, até – através da ciência. Vocês, por outro lado, revelam uma impecável inabilidade em explicar tanto quanto 1+1, o que eu apresento através da dita ciência como uma remoção cerebral pós-parto do vosso redactor.
Um ser humano não pode correr a umas alegadas 700 milhas/hora, herói ou não. O beep-beep fazia-o na sua qualidade de desenho animado e de avestruz. Acontece que na vida real a humanidade não possui uma percepção e uma destreza mental que permita executar dez curvas e agarrar delicadamente objectos no espaço de meio segundo; nem na antecipação de uma overdose de anfetaminas.
Nesta sequência, o corpo humano não tolera a pressão aérea a umas poucas centenas de quilómetros por hora. Pondo de lado o facto de uma inexplicável mutação química na adrenalina permitir a inúmeros seres humanos quebrar (de uma forma igualmente ignóbil) as leis da física que regem o nosso planeta, nem um esquimó, por muitos ursos polares e pinguins que coma, sobrevive a temperaturas para além da estratosfera, em voo de alta velocidade.
Um serial killer malévolo pode ter uma cara bonita, mas não se torna um herói. Mas sobretudo, e sublinho, sobretudo, ele não se torna bom depois de se tornar mau depois de se tornar bom depois de ser, na sua essência, um filho de uma mulher de ganha-pão questionável. Para leigos, façamos uma alegoria: Hitler mata seis milhões de judeus até que subitamente pondera “hmm, será que nós somos os maus da fita?”, pelo que oferece leite com chocolate Ucal num acto de redenção. Porque toda a gente gosta muito de leite de chocolate Ucal, o púbico põe a hipótese “olha, se calhar ele não era assim tão mau rapaz”, até que Hitler decide matar toda a gente a quem ofereceu o dito leite. Uns milhões de judeus depois, Hitler tem um toque de génio - “quero ser um herói” - e no lugar da anterior oferenda limita-se a recitar meia Avé Maria (tanto quanto se lembra), o que lhe confere um carisma abismal e o perdão eterno.
Para descontrair, o dióspiro irá rebolar até ao Colombo para averiguar o expectável final do feiticeiro das lunetas. No entanto, a mente científica traz apenas uma ideia na mente…

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