É Natal, é Natal! Não. Ainda falta. Mas não deixa de ser tópico deste ano o grande movimentador deste evento pagão, cada vez mais escasso: o dinheiro. Ao que parece, o próximo Natal peca em presentes mas recompensa em discursos à Alberto João Jardim. Após a decisão do governo de passar uma pequena bissectriz pelo subsídios de natal dos portugueses ao estilo de “esse lado da cama é teu, deste lado da linha não tocas”, podemos apenas assumir que por volta de 24 de Dezembro grande parte de nós estará a falecer de felicidade. Creio também que será uma ocasião monumental para que nos debrucemos sobre uma certa miragem colectiva bimilenar… Convoco uma suspeita de que tanto perus como bacalhaus são impregnados com drogas alucinogénicas de longa duração, todos os anos, pela época natalícia.
Em termos sérios, este abalo à tradição de São Nicolau preconiza outras questões mais sérias. Em primeiro lugar vem o facto de que todo esse avultado monnet não fará nem um cafunezinho ao défice português: o propósito real deste “imposto extraordinário” (pomposo, ã?) será cobrir as indemnizações de projectos cancelados pelo novo governo. “Ah gastaram milhões de euros em máquinas e escavações? Homem das obras feeeeio, você leva tau-tau”.
Quem parece delirar em orgasmos uníssonos são os colaboradores da Moody’s que, enquanto fazem voodoo com galos de Barcelos, projectam já um novo rating para a dívida pública portuguesa em edição exclusiva: Cancro vem substituir o ranking de Lixo. A verdade é que Ray McDaniel, director geral da Moody’s, come um pastelinho de Belém todos os dias ao pequeno-almoço enquanto passa os olhos por quadras de A Mensagem, de Fernando Pessoa. Quando questionado sobre os seus hábitos, McDaniel retorque coloquialmente: “Duh. Estava a ser irónico.”
O dióspiro crê que, no fundo, a Moody’s, tal como a Finlândia na sua precessão, encontra um ódio indiscreto face aos Homens da Luta no Festival da Canção. Justamente, creio que depois da operação de Luciana Abreu, todos nós guardávamos uma vontade visceral de que ela se recandidatasse em 2011 a fim de a(s) ver saltitar no palco em lugar de um bando anarquista de bigodes ambulantes.
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