segunda-feira, 4 de julho de 2011

Um Dióspiro e Freud Entram num Bar...

       Como é certo, a psicologia é um dos poucos hobbies relevantes dentro da plétora de actividades do dióspiro. A psicanálise, por sua vez, é uma técnica bonita que nos traz deduções crípticas. São caso exemplificativo a correlação negativa entre o preço de um automóvel desportivo e o dote fálico do seu dono, ou a ligação directa entre a qualidade caprina de uma mulher (subtilzinho, pois bem) e o eufemismo chamado daddy issues.


         No centro de toda a psicanálise – e do seu criador, por certo – está o sexo, em sentido lato. A repressão sexual é, segundo Freud, a maior causa de distúrbio da psique humana, o que leva à indução de que as fantasias sexuais devem ser identificadas e expressas, sejam elas quais forem. Convidámos então ao blog, em entrevista, alguns indivíduos com fantasias invulgares.


      Em primeiro lugar, foi dada palavra a C. Nuno, ilustre desconhecido que nos cede em primeira mão a sua repressão. C. Nuno imagina-se com frequência a ser humilhado por uma tribo de índios aborígenes disfarçados de antropólogos, professando expressões rudes como “as minhas relações familiares são mais profundas que as tuas” e “tens sido um menino muito etnocêntrico…”, enquanto o chicoteiam com uma espiga de centeio. E reforça: “alicia-me a observação participante”.


      Jean-Marie Le Pen veio também prestar testemunho do seu distúrbio, uma fantasia figurando duas mulheres em greve de fome – uma judia e uma militante da Greenpeace – e ele, no auge do seu poleiro, lançando fatias de bacon. Disse-lhe que não se tratava de um desejo sexual reprimido, mas ele retorquiu com expressões faciais particularmente credíveis.


         H. Carlos, por sua vez, contempla a perversão de uma mulher com uma ranhura para a moedinha, tal como os cavalinhos de carrossel. O êxtase, ao que consta, deve-se ao total consentimento: “na minha fantasia elas nunca têm dores de cabeça.”. Quando questionado em respeito ao facto de cinquenta cêntimos só proporcionarem um minuto de experiência, Carlos admoesta “nunca foi preciso gastar mais que um euro. É economicamente correcto”. Pessoalmente, desagrada-me a passividade, mas a música ambiente vale por si.


       Para um epílogo académico, o dióspiro foi ao limbo, onde Sigmund Freud se encontra a estudar Michael Jackson. Dada a indigestão de marshmallows, o pai da psicanálise pôde apenas confessar um segredo: “sempre julguei a questão da pequena sereia meio obtusa. Creio que inverteram as partes do corpo de Ariel. Tudo bem; não a poderia beijar, mas isso também nunca caiu muito nos meus gostos.


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