terça-feira, 2 de agosto de 2011

Crise Cognitiva

Ao gigantesco acto grupal e pessimista de que a economia é, como dizer… uma m**** -chamamos de crise. Pessoalmente, dou conta de mais actos colectivos,  igualmente obscuros, mas que não geram de forma alguma o mesmo furorzinho ignorante que a crise.  A questão é que estas actividades são igualmente feias e porcas, dão um tesão menos aparvalhado ao povo tuga, mas são taboo. A crise é convenientemente mediática.

O Zé Povinho confere tudo o que lhe dizem. Tal como as gripes dos ornitorrincos e dos unicórnios, a depressão económica parece apenas mais uma história de conspiração à la Maria Amélia,  quando tomamos uns segundos para olhar em nosso redor e observar os preços exurbitantes que estremecem as mais viscerais grainhas de um dióspiro. “É a crise”. Ela crê-me nutritivo e quer papar-me, suponho?

Este post em particular cumpre dois objectivos. Dar uma de conspirador autista em metanfetaminas e retratar certas instituições, de forma notavelmente constructiva, como jogadores de mikado com parkinson. Há cerca de duas semanas, expelindo um doce aroma de fruta por Barcarena, encontrei-me na Universidade Atlântica. Este infindável poço de legitimidade académica não só pratica preços bastantes cómodos para os votantes do CDS-PP como se foca no nicho de mercado dos maiores de 23 anos. Abandonamos o sistema “o meu papá paga-me a faculdade porque eu não quero realmente estudar” e passamos para “eu já sou papá e acho sensual ter um diploma”. É a crise a lacerar as carteiras lusitanas. E o que tem esta instituição de errado? Enganaram-se no nome. “Universidade Atlântida” seria mais adequado: tendo em conta o quanto os alunos põem os pés nas aulas, podemos apenas assumir que tiram o curso por telepatia.

Passamos agora ao Jardim Zoológico. Este local de património nacional pede uns míseros 17€ por um bilhete, o que me arranca à bruta o conceito de elasticidade procura-preço. Será que o bilhete inclui um seguro de vida avultado e actividades dentro da jaula dos leões? A Fertagus, por sua vez, cobra 4.30€ de Lisboa a Setúbal, mas o seu grande negócio é mesmo o bilhete de Lisboa a Lisboa pela quantia de 1.40€.


Já a CP pratica também preços que tornam uma viagem de ida e volta Lisboa-Cascais um investimento de 7€.

Tudo isto se justifica quando pensamos que, pelo menos, o golf se mantém seguro a 6% de IVA e os nossos benfeitores do caso BPN nunca passaram a prisão efectiva. Mas sempre me ensinaram desde criança: “o que te aparecer no prato é para comer e calar.”

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