sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Tur-tur-qui-quia

Uma parcela significativa do mítico clube de fãs do dióspiro é composta pelo tipo de pessoa que um dia teve a sua vontade sodomizada por áreas de estudo como teorias da comunicação ou semiologia. Pois num tom masoquista e apático volto a inquirir: o que é comunicar? Para mim, comunicar atravessa o patamar do canal até chegar ao entendimento; compreensão. Posso portanto afirmar que nem por milhas consigo algum tipo de comunicação neste Cu do Judas (não merece censura já que é, de facto, uma terra Açoriana). O jumento que decidiu que os turcos são capazes de falar inglês merece um mês de alimentação somente a Ayran (bebida de iogurte salgada e, ênfase nisto, azeda).



O meu quarto é suposto ser limpo uma vez por semana. Deve ter ocorrido algum tipo de troca porque até agora o fruto proibido (aka. os dormitórios femininos) já foi limpo duas vezes enquanto a estância dióspirica se mantém virgem para com o Sonasol. Eu sei que a velocidade de consumo de papel higiénico (VCPH= 0,0632*♂ *T* + 873712746728169*♀ *T) é desarmónica, mas por amor de Angélico...

♂/♀= Nº de indivíduos do género masculino/feminino

T = Tempo de permanência na residência, em horas



Mas nem tudo é mau. Os turcos pagam-me táxis, mostram-me a cidade, procuram apartamentos comigo, levam-me a fumar chicha de todos os sabores imaginários e, sobretudo, deixam-me jogar PES com eles. Cumprimentam-me com dois beijos e chamam-me irmão. Já tentei dizer-lhes que as coisas estão a andar demasiado rápido entre nós, mas prontamente me trazem um apetitoso kebab.



Os ciganos habitam as várias Beverly Hills e Quinta's da Marinha turcas e não dispensam o seu Porsche ou BMW, fruto de um vigoroso ofício enquanto pedintes e vendedores de rosas. Quando se vendem rosas à importância de 10 euros a unidade posso apenas confirmar que o cigano turco se reveste de um enormíssimo poder de persuasão, através da sua táctica em círculo que rodeia o potencial garantido cliente e o incentiva a gracejar enquanto se estica para a carteira.


Agora, este povo aparentemente lovey dovey que me vende iogurte fora de prazo tem uma propensão notável para a violência. Consta que diariamente são mortos diversos indivíduos sobre o o conflicto de... táxis. Sim. Os turcos com posse legal de armas matam o seu kardeş porque “ele roubou um taxi”. Portanto vou privar-me de protestar sobre a horrível chamada de reza dos muçulmanos que ecoa quilómetros em direcção aos meus ouvidos em horas pouco próprias, violando-os incessante e monotonamente numa linguagem imperceptível mas que claramente me relembra o Aladino.

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