quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Donuts Em Marmitas No Médio Oriente


Of course you do. O nobre governo americano, na sua cíclica rotina de vício bélico, encontra-se por vezes na posição de um consumidor assíduo de crack ao nascer do sol. Procura então humanos crédulos, de uma cultura moldada em volta de uma errada noção de tarde-de-maçã, um auto-estima condicionada por três anos de liceu e um desconhecimento inspirador da existência de um planeta terra para além de trezentos anos atrás. O tio Sam aponta e lá vai o pobre senhor convencido de que existe uma linguagem chamada “americano”.

Porém, a razão pela qual escolhi relatar a muito bem oleada máquina ignobilmente designada por América passa por prestar a devida homenagem a este país. Dei conta que muito provavelmente não existe noutro local do mundo com um carácter tão rico em despropósito. O republicano norte-americano é um animal à parte, um fetichista de carabinas abençoado com o dom de falar a linguagem das galinhas, um ódio sexualmente inseguro por gays e uma fé num deus trazido pelos mesmíssimos indivíduos que lhes trouxeram... essencialmente tudo. E essa é a questão de maior interesse. No barco chamado May Flower do qual este povo tão redundante se orgulha vinham nada mais, nada menos que presidiários, violadores, ladrões e a penta-avó de Paris Hilton.

A valorização ética das diferenças culturais é outro brilhante traço desta gente. O mexicano não trabalha – come tacos, o preto rouba para comprar sumo de uva e galinha grita, o nativo americano limita-se a fumar droga o dia inteiro. A primeira questão é que os estereótipos são de muito mau tom, e por isso mesmo me redimo – se alguma vez propus que todos os americanos fossem perfeitos atrasados mentais, peço desculpa: só “mais de 50%” apresentam garantia de um défice mental ao votarem pela segunda vez em Bush. A segunda questão passa pelo termo aplicado a estas diferentes culturas – minorias – que se apresentam agora como uma maioria colectiva perfeitamente capaz de sustentar a insustentável política económica apelidada de capitalismo.

A maior indústria norte-americana – a indústria das pistolinhas e bazookas – satisfaz a sua foméca por via de uma dedução lógica acessível até ao macaco Jervásio:
Imagem de explosão. Foto de um senhor muçulmano num mau dia. “Joãozinho, quem é manda aviões contra os prédios??”
E vão jovens em massa, iludidos de que passou na MTV nos últimos dez anos se pode chamar música. Pequenos mártires que igualam patriotismo a sexo.

O dióspiro contenta-se com o segundo e dispensa o primeiro. Para quê um sonho americano quando se pode sonhar com o mundo?

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