segunda-feira, 10 de outubro de 2011

A Guerra dos Sexos - Parte 2


Depois de uma listagem de pequenas réstias de putrefacção mental por parte da menos exemplar parcela dos descendentes de Adão é hora de oferecer o palco à víbora que o leva à epítome da escrotidão verbal. Não se trata de dar resposta à infrutífera e nietzschiana questão do género mais forte. Não se trata de elogiar o tremendo dote feminino em lavar a loiça face a uma incapacidade masculina de pseudo-amputado em varrer o chão; certamente nem valeria a pena referir o ponto-morto na visão de um homem no que toca ao rolo da papel higiénico terminado.

Nada disso. Falemos antes sobre aquilo que o esbelto ser curvado pode dizer que realmente fere o ego de um homem. Desde “o meu ex é campeão de atletismo” e “achavas que eu era virgem? Nem me lembro quantos foram antes de ti”.

Ponhamos então em vista o seguinte cenário: o João, um jovem rapaz, visita a casa do seu date para, num tom clássico e romântico, iniciar o subtil processo de introdução ao coito. No seu Peugeot 306 pago pelo papá e pela mamã o João reflecte por uns segundos sobre o quão conveniente seria ter perguntado ao hipertrófico pai da … Lola, a que horas fariam questão que ele a trouxesse na manhã seguinte. E lá vai o João, com o seu perfume Armani e uma arrogante quantidade de preservativos na carteira, gastar um quarto da sua mesada para jantar. Mas justifica-se. A Lola é uma rapariga tão interessante e com tanto para dizer que o João quase poderia esquecer a imensidão dos seus seios.

Depois de um jantar memorável o João propõe, de coração em mão, “vamos ver o Notebook para minha casa”. Por insuspeita coincidência os pais do João não estavam em casa nessa noite, pelo que no melhor dos contextos as roupas começaram a saltar ritmicamente. Peça por peça, o João vai pensando em como o seu objecto de desejo é provavelmente a donzela mais inexperiente do bairro. A Lola, no entanto, e uma vez tapada a carpete com roupa, toma um momento de reflexão: “o meu irmão de 10 anos tem um assim”.
O João estranha o misto de desorientação e riso por parte da sua parceira, mas antes que possa inquirir, esta interpela:
·         “Estás com frio?”
·         “Hm... Não”, responde o João com hesitação.
·         “Ahh, tens os dedos dos pés tão grandes!”
·         “Ah?”
·         “Fizeste alguma coisa e Deus quer castigar-te?”
·         “Não? Porquê?”
·         “Nada. De qualquer forma eu sempre gostei de brincar à caça ao tesouro quando era pequena”.
Já assustado, o João responde: “de que é que estás a falar??”
·         “Nada, nada. Tive uma espécie de dor de cabeça instantânea. Porque é que não ficamos um bocadinho juntos e dormimos?”
Já frustrado, o João pergunta: “Mas o que é que se passa? Isto estava a correr tão bem...”
·         “É só que claramente trouxeste incenso e acontece que eu sou alérgica.”

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