terça-feira, 29 de novembro de 2011

The Rabbit Shore

Um jovem, entre os vinte e os trinta e poucos anos, coloca desvirginantemente as mãos numa laca capilar e inocentemente prolifera-a pela peluda superfície das suas fontes. A sua face, esbatida pelo que se assemelha a pó talco, permanece apenas em relance perante uma vestimenta – uma mísera t-shirt – que pelo seu indigente tamanho traz uma nova noção de crise ao mundo capitalista. No entanto, não estamos, por enquanto, em Portugal. Tudo isto se passa numa terra longínqua, na costa este da terra do tio Sam: New-Jersey.

As pontas do cabelo, vítimas de um acidente com lixívia sobrenaturalmente selectivo, conferem a este jovem um toque artístico apto a fomentar espasmos espontâneos na, cada vez mais diminuta, parcela humana dotada de senso comum. Mas este chavalo é como o Seaman: terá alguns fãs, mas a grande maioria continuará a achar que há ali algo de profundamente errado. Os braços do típico indivíduo de Jersey Shore propõem duas conjecturas: um punheteiro compulsivo ou um adepto do sistema de treino da WWE (que nada tem a ver com umas pequenas pílulas brancas).

Ora, o facto de este indivíduo fisicamente ostensivo, incontornavelmente agressivo e mentalmente primitivo conseguir sucesso com elementos do sexo oposto tem uma explicação lógica. Um dia na sua adolescência, com QI de Pokémon, o nosso douchebag descobriu, ao longo de Twillight: New Moon, que as hormonas femininas direccionam atenção para oito abdominais definidos, em detrimento da acne facial.
Em simultâneo, uma jovem rapariga decidiu não ver a saga Twilight. Resultado? Aprendeu que aquilo que atrai o género masculino não passa por uma personalidade de Droopy Dog mas pela ufania de um opressivo par de mamas.

E assim, a fracção inferior da inteligência humana encontra contentamento sexual. A questão é – e desta vez poupam-se censuras – como que caralhos é que estes fudilhõezinhos ficaram famosos?




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