Uma universidade privada na Turquia prova-se, passo a passo, como uma enriquecedora fonte sapiente da eclética mente que representa Eva no mundo. No caso da mítica, convidativa figura que levou – segundo reza – Adão ao pecado, a roupa não era uma opção. Diospiricamente falando, Adão nunca teve grande chance neste jogo mais hormonal que moral. Mas grandes homens, num extenso plural, vieram a sofrer o trauma da complexidade feminina. Não há relatos sobre se Eva ofereceu ou não grandes barreiras psicológicas à ordem natural da relação entre homem e crise existencial personificada.
A complicação inerente a uma mulher é intemporal, evolutiva como um vírus e geograficamente intransponível; por outras palavras, cada mulher aprende a ser complicada numa base cultural. Se alguma vez me queixei da versão portuguesa, entidade sobrenatural inexistente me perdoe: bem vindos à Yeditepe Üniversitesi.
Yeditepe é, como o prólogo sugeriu, uma universidade privada, por sinal esteticamente atraente e repleta de maquilhagem num continuum de L'Oreal a Tuli Creme. Cinquenta por cento dos carros estacionados no parque interior são BMW's, Mercedes ou Porches... brancos. Existe uma justificação plausível: acontece que a palavra Porche é uma espécie de abre-te sésamo para as raparigas de Yeditepe. Um “abre-te sésamo” no entanto muito relativo, quando graças a esta nulidade chamada religião a pureza de uma mulher é consequentemente julgada com base na preservação da sua cerejinha.
O que acontece então? Imaginemos que Mustafa quer enviar uma carta. Como é lógico ele dirige-se ao local naturalmente indicado para o efeito – o posto dos correios; no entanto ele é prontamente informado: “aqui não podes enviar uma carta”. Como Mustafa é bastante persistente, um armazém bastante distante, cujo propósito até à data se limitou à recepção de mercadorias alimentares, teve pena do jovem e decidiu aceitar a sua carta. Mas Mustafa continuou a enviar as suas cartas e este armazém ficava tãaaaao longe, e porque estava vocacionado para recepção de mercadorias as cartas de Mustafa acabavam nos sítios mais macabros. Mustafa insistiu com o posto dos correios, considerando um desperdício dos fundos do governo que esta estação não aceitasse as suas cartas, mas a resposta, essa, - imóvel. Eventualmente, uma fábrica de chocolate, desta vez mais próxima, ofereceu-se para receber as cartas: era uma estação velha, escura e claramente inexperiente. Esta estação disse para Mustafa: “até agora nunca recebi uma carta, eu normalmente envio e não recebo”. Mas a fábrica recebeu com sucesso a carta de Mustafa, apesar de estar inicialmente receosa quanto à ideia. E as de trinta e quatro outros meninos depois dele. No espaço de um mês.
Mas o importante é que o posto dos correios estruturado e construido com toda a tecnologia indicada para a admissão e acomodação de cartas, com um serviço de apoio ao cliente naturalmente fluente e o tipo de proletariado que morre de felicidade por amor ao seu trabalho... não receba uma carta.
Ámen!

Sem comentários:
Enviar um comentário