segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Uma Imbecil Persistência

Agora que este profaníssimo pedaço de imaturidade atingiu o seu trigésimo artigo, se é que alguém literado o poderá apelidar de tal, tenho apenas a anunciar que não há nada de imensamente patológico em prosseguir a leitura. Na realidade, a pouca aguardada subsistência das aspirações literárias de um fruto com bicho revela como é possível fazer-se tanto em nome de nada. É como juntar esforços para a sexagésima nona campanha para encontrar a Maddie: estão todos tão preocupados em gritar “arrebenta a bolha!” que ninguém se lembrou de procurar debaixo da terra num pinhal obscuro para chegarem a um fim produtivo (honestamente, a uma caixa de pinho e cerejeira bastante bonita, atendendo ao fundo McCann).

Mas se uma coisa este blog faz de bom é promover a leitura, mesmo que numa diagonal gravitacionalmente inclinada. Afinal, o ser humano aspira à burrice como a Amy Winehouse aspirava farinha, e esta piada nem tão pouco faz sentido. Esta inconclusiva sentença parte apenas da perfeita noção de que já ninguém pega num livro, algo que leva muita boa gente a levianamente sugerir a dúvida “português é uma língua?”, uma áspera falácia preliminar para um vil acto de violação na forma de “Portugal fica no sul do Reino Unido?”. “Portugal é um país?”, por fim, é a ausência de uma carícia após o acto, que levaria qualquer luso a sentir-se um afro-americano/asiático em mais um autodepreciativo filme de terror - Sexta-Feira 13.

O desconhecimento é um passo tremendo em direcção à arrogância: é o terror de quebrar o silêncio em nome da decadência intelectual. Ser-se inculto não é legalmente um crime, embora por vezes sugira uma competição apertada entre o macaco Gervásio e a sua equivocamente assumida evolução. Ser-se inculto é como ser um padre: ser-se fértil e adoptar uma vida de dedicação a um homem de barbas que nem tão pouco existe, envergando umas vestes inqualificáveis e irregularmente lavadas. Enfim; ser-se inculto é humano e será errado criticá-lo; mas não deixa de ser um fenomenal desperdício de uma mente saudável. Por outro lado, uma pessoa inculta mas com vontade de conhecer é um sapo à espera de um beijo, um mineiro aguardando a luz do sol, um elefante a tocar o sino por um amendoim. Uma pessoa inculta é como um orfão de um país desfavorecido nas mãos da Angelina Jolie. Ele tem potencial, vontade de largar o estridente rato de laboratório com sida “Ke$ha” e abraçar música, vontade de fechar os olhos e aceitar que a revista Cuore não tenha grande conteúdo para além da óbvia semelhança southparkiana entre a Sarah Jessica Parker e um cavalo.
Em suma: tens mais de 18 anos? És vacinado/a? Tens um avultado montante de pelos na púbis que sentes necessidade de cortar regularmente pela hipotética ideia de sexo que nunca chega a vias de facto? Então vai ver Midnight in Paris.

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